Terremoto volta a destruir shopping de Kumamoto uma década após reconstrução histórica
O terremoto de magnitude 7,1 que atingiu o sul do Japão nesta terça-feira (28) provocou novos danos ao Aeon Mall, na cidade de Kashima, província de Kumamoto. O complexo comercial, parcialmente destruído após uma explosão, havia sido severamente afetado pelos terremotos registrados na mesma região em 2016.
O shopping passou por um amplo processo de recuperação durante a última década e havia concluído recentemente uma nova etapa de renovação. Agora, autoridades trabalham para localizar funcionários desaparecidos e avaliar a estabilidade da estrutura.
Shopping havia sido reconstruído após terremoto de 2016
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Imagem aérea mostra o shopping Aeon Mall em Kashima, em Kumamoto, parcialmente destruído após terremoto de magnitude 7,1 atingir o sul do Japão em 28 de julho de 2026
O Aeon Mall foi gravemente danificado pelo terremoto de magnitude 7,3 que atingiu Kumamoto em abril de 2016. O desastre deixou centenas de mortos e milhares de feridos, além de provocar a destruição de edifícios, estradas e pontos históricos da região.
Após o tremor, o complexo comercial permaneceu parcialmente operacional enquanto passava por reformas, ampliações e melhorias estruturais. Entre as intervenções anunciadas estavam o reforço dos tetos e a modernização dos sistemas de segurança.
A renovação mais recente havia sido concluída em junho de 2026, como parte de um projeto apresentado como um novo começo para o empreendimento e para a comunidade local.
Funcionários continuam desaparecidos
Funcionários do shopping conseguiram retirar aproximadamente 200 visitantes do estabelecimento logo após o terremoto. Parte dos trabalhadores, entretanto, teria permanecido no interior do complexo.
A emissora pública japonesa NHK informou que entre 20 e 30 funcionários estavam desaparecidos. A polícia de Kumamoto também recebeu informações sobre pessoas possivelmente presas sob os escombros.
As equipes de emergência enfrentavam dificuldades para acessar determinadas áreas devi
do ao risco de novos desabamentos e tremores secundários. Hospitais da região também receberam dezenas de pessoas feridas após o terremoto.
Complexo é referência comercial na região
Nas cidades menores do Japão, os estabelecimentos da rede Aeon exercem papel importante como centros de compras, alimentação e entretenimento. O shopping de Kumamoto reunia aproximadamente 200 lojas, cinema e estacionamento com capacidade para milhares de veículos.
O empreendimento recebia cerca de oito milhões de visitantes por ano e havia ganhado ainda mais movimento após a instalação de uma fábrica de semicondutores na região.
Depois do terremoto de 2016, um supermercado instalado no complexo vendeu bolinhos de arroz onigiri por dez ienes cada, buscando ajudar os moradores afetados pelo desastre.
A reabertura completa realizada no mês passado representava uma tentativa de marcar a recuperação econômica e estrutural da comunidade.
Explosão ocorreu após o novo terremoto

O novo abalo sísmico aconteceu às 16h27, no horário local, com epicentro na região de Kumamoto e profundidade estimada em dez quilômetros, segundo a Agência Meteorológica do Japão.
A baixa profundidade contribuiu para que o tremor fosse sentido com grande intensidade nas áreas próximas ao epicentro. Cerca de uma hora depois, uma forte explosão atingiu o Aeon Mall e destruiu parte das paredes e do teto.
Imagens aéreas mostraram áreas internas expostas, estruturas retorcidas e grande quantidade de destroços ao redor do prédio. Relatos preliminares apontaram a possibilidade de vazamento de gás, mas a causa da explosão ainda dependia de confirmação oficial.
Governo mobiliza força-tarefa de emergência
O governo japonês estabeleceu uma força-tarefa para acompanhar os danos, apoiar os governos locais e coordenar as operações de resgate.
O terremoto provocou interrupções no fornecimento de energia, danos em imóveis e problemas no sistema de transportes da ilha de Kyushu. Trens foram suspensos e o aeroporto de Kumamoto teve suas operações afetadas.
Um alerta de tsunami chegou a ser emitido para áreas próximas aos mares de Ariake e Yatsushiro, mas foi posteriormente retirado. Autoridades também orientaram a população a permanecer atenta à possibilidade de novos tremores, deslizamentos e quedas de estruturas fragilizadas.
O novo desastre ocorre dez anos depois de uma das sequências sísmicas mais destrutivas da história recente de Kumamoto. Enquanto as equipes procuram desaparecidos, o Aeon Mall volta a representar o impacto dos terremotos sobre uma região que ainda reconstruía as marcas deixadas pelo tremor de 2016.





