Michelle promete vigilância total sobre Bolsonaro em casa e domiciliar entra sob cerco do STF

Aliados relatam que ex-primeira-dama assegurou a Moraes que o ex-presidente não ficará desacompanhado; decisão impõe tornozeleira, incomunicabilidade e revisão em 90 dias.

A prisão domiciliar humanitária concedida a Jair Bolsonaro passou a ser cercada por um esquema rígido de controle judicial e acompanhamento permanente. Segundo relatos de aliados após reunião de Michelle Bolsonaro com o ministro Alexandre de Moraes, a ex-primeira-dama assegurou que o ex-presidente não ficará sozinho durante o período em casa, numa tentativa de reforçar ao Supremo a necessidade de vigilância contínua diante do quadro de saúde dele.

A decisão de Moraes autorizou a domiciliar por prazo inicial de 90 dias, contados a partir da alta médica, para a recuperação de uma broncopneumonia. Ao fim desse período, o ministro deverá reavaliar se o benefício será mantido, inclusive com possibilidade de nova perícia médica.

No despacho, o STF impôs uma série de restrições: Bolsonaro terá de usar tornozeleira eletrônica, permanecer no endereço residencial, não poderá usar celular, telefone, redes sociais nem gravar vídeos ou áudios, direta ou indiretamente. A decisão também determina que qualquer descumprimento pode levar à revogação imediata da domiciliar e ao retorno ao regime fechado. Na prática, o conjunto de regras fecha o espaço para atuação política pública durante o período em casa.

Além disso, Moraes determinou que a defesa apresente os nomes dos advogados, funcionários da residência e dos responsáveis pelo acompanhamento diário de 24 horas, como enfermeiros ou técnicos. O ministro também suspendeu as demais visitas por 90 dias, mantendo apenas exceções já previstas para familiares próximos, advogados e médicos, sob fiscalização da Polícia Militar e monitoramento constante do entorno da casa.

Nos bastidores, a movimentação de Michelle foi vista como uma tentativa de transmitir ao Supremo a imagem de que Bolsonaro estará sob controle permanente, sem risco de novos incidentes. A visita dela a Moraes ocorreu sem a presença de advogados ou aliados políticos, o que gerou ruído dentro do próprio entorno bolsonarista, mas ajudou a reforçar o argumento de que o ex-presidente precisa de cuidados contínuos no ambiente familiar.