Em primeira entrevista após anúncio do PT, ex-ministro da Fazenda rebate críticas, defende sua candidatura ao governo paulista e inicia articulação para definir vice da chapa
O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) deu nesta sexta-feira (20) o tom da disputa pelo Palácio dos Bandeirantes ao conceder sua primeira entrevista coletiva como pré-candidato ao governo de São Paulo. Em uma fala marcada por críticas ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), Haddad afirmou que o adversário “não tem nenhuma familiaridade até hoje com São Paulo” e rebateu a tese de que teria aceitado a candidatura por “sacrifício” para atender ao projeto nacional do partido.
Segundo Haddad, a decisão de disputar novamente o governo paulista está alinhada com sua trajetória política e com sua disposição de defender as bandeiras do PT no maior colégio eleitoral do país. O petista afirmou que nunca tratou a candidatura como imposição e negou qualquer desconforto com a missão confiada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“Você não vai pegar uma frase minha falando em sacrifício. Isso não existe”, declarou o ex-ministro, ao responder a comentários atribuídos a Tarcísio e aliados de que ele teria sido deslocado para São Paulo com o objetivo de fortalecer o palanque de Lula em 2026.
Ao mirar o atual governador, Haddad relembrou que Tarcísio chegou a cogitar disputar o Senado por Goiás antes de se lançar em São Paulo e afirmou que o rival ainda não construiu vínculo real com o estado que governa. Na mesma linha, aproveitou para rebater críticas da base bolsonarista à eventual candidatura da ministra Simone Tebet (MDB) ao Senado por São Paulo, classificando como contraditório o discurso de que ela seria “forasteira”.
Para Haddad, Tebet tem hoje mais vínculos com São Paulo do que Tarcísio. A declaração reforça a estratégia petista de explorar o argumento de pertencimento e identidade regional na corrida eleitoral.
Além de marcar posição no confronto com o governador, Haddad também sinalizou o início das articulações políticas para montar sua chapa. O pré-candidato afirmou que começará nos próximos dias conversas com lideranças de partidos aliados, como PSB, Rede e PSOL, em busca de um nome para vice.
Entre os nomes que pretende ouvir estão Márcio França, Caio França, Geraldo Alckmin, Tabata Amaral, Guilherme Boulos, Érika Hilton e Marina Silva. Segundo ele, o objetivo é ampliar o diálogo no campo progressista e construir uma composição que una diversidade, representatividade e competitividade eleitoral.
Haddad afirmou que ainda não definiu um perfil ideal para vice e que a escolha dependerá das possibilidades concretas dentro do arco de alianças que vier a sustentar sua candidatura. Mesmo assim, disse estar confiante de que conseguirá formar uma chapa “bonita, ampla” e capaz de empolgar o eleitorado.
O ex-ministro também reforçou que entrou na disputa para vencer, e não para cumprir papel simbólico. Durante o evento de lançamento de sua pré-candidatura, realizado na quinta-feira (19) no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, Haddad já havia afirmado que disputa eleição “para ganhar” e que não entra em campanha “para barganhar”.
O ato contou com a presença do presidente Lula, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do presidente nacional do PT, Edinho Silva. Em discurso, Lula declarou que Haddad será o “futuro governador de São Paulo” e elogiou a disposição do aliado de voltar à disputa em um cenário considerado desafiador para o partido no estado.
A movimentação ocorre em meio a um cenário eleitoral ainda favorável a Tarcísio. Pesquisa Datafolha divulgada no início do mês mostrou o atual governador liderando com folga os cenários testados para o primeiro turno. Em uma simulação direta contra Haddad, Tarcísio aparece com 44% das intenções de voto, contra 31% do petista.
Mesmo diante da vantagem do adversário nas pesquisas, Haddad tenta imprimir desde já um discurso de confronto político, ampliar alianças e nacionalizar a disputa em São Paulo, apresentando sua candidatura como peça importante no projeto de reeleição do presidente Lula.



