Pré-candidato à Presidência, senador diz que eventual governo seguirá modelo adotado por Jair Bolsonaro e evita antecipar nomes para a equipe econômica.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como pré-candidato à Presidência da República, afirmou nesta quinta-feira (19) que a condução da economia em um eventual governo seu seguirá, em linhas gerais, o modelo adotado durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro. A declaração foi dada a jornalistas durante evento promovido pelo grupo Lide, no Rio de Janeiro, e reforça a tentativa do parlamentar de se apresentar como herdeiro político direto do bolsonarismo também na área econômica.
Ao comentar o tema, Flávio disse que não pretende surpreender o eleitor com mudanças bruscas de rumo e declarou que a base de seu pensamento econômico já é conhecida. Segundo ele, a experiência do governo do pai serve como referência para a formulação de propostas e caminhos de um futuro plano de governo.
Na fala, o senador elogiou o desempenho da gestão anterior e afirmou que ela é reconhecida internacionalmente. Ele citou indicadores econômicos do período pós-pandemia para sustentar a avaliação de que o governo Jair Bolsonaro teve desempenho positivo, mencionando crescimento econômico e inflação como exemplos de resultados que considera favoráveis.
Flávio resumiu a espinha dorsal de sua proposta econômica em três pontos centrais: enquadrar as despesas públicas dentro do orçamento, gastar menos do que o governo arrecada e reduzir impostos. A declaração sinaliza uma defesa de maior controle fiscal e de uma agenda liberal, com apelo ao empresariado e ao eleitorado conservador.
Apesar do discurso, o senador deixou claro que seu plano de governo ainda não está concluído. Segundo ele, o momento é de conversas com aliados e interlocutores políticos antes da consolidação de uma plataforma definitiva. Entre os nomes que pretende ouvir está o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), aliado próximo do ex-presidente Jair Bolsonaro e um dos principais quadros da direita no país.
Questionado sobre a possibilidade de o economista Paulo Guedes, que comandou o Ministério da Economia no governo Bolsonaro, integrar uma eventual equipe econômica, Flávio evitou confirmar qualquer composição. Disse que ainda não há definições sobre quem poderá liderar a área e preferiu não antecipar nomes neste momento.
A declaração do senador ocorre em meio ao avanço de sua presença no debate pré-eleitoral e ao crescimento de sua exposição pública como possível candidato ao Palácio do Planalto. Embora pesquisas de opinião tenham apontado melhora de seu desempenho, Flávio demonstrou cautela ao comentar os levantamentos e afirmou manter desconfiança em relação aos institutos de pesquisa.
Ainda assim, disse enxergar uma tendência de crescimento de sua candidatura e afirmou considerar que esse movimento indica que seu campo político está no caminho certo. Em tom de oposição direta ao governo federal, também fez críticas duras ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao PT, reforçando o discurso polarizado que deve marcar sua estratégia política nos próximos meses.
Com a fala, Flávio Bolsonaro busca consolidar duas mensagens centrais: a de continuidade da agenda econômica do pai e a de que sua eventual candidatura não representaria ruptura, mas sim uma extensão do projeto político bolsonarista. Ao apostar em promessas de austeridade fiscal, redução de impostos e alinhamento com nomes influentes da direita, o senador tenta ocupar espaço no cenário nacional antes mesmo de apresentar oficialmente um programa completo de governo.



