Fed mantém juros nos EUA entre 3,50% e 3,75% e cita pressão da guerra no Oriente Médio

O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, decidiu nesta quarta-feira (18) manter a taxa básica de juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, menor patamar registrado desde setembro de 2022. A decisão veio em linha com as expectativas do mercado financeiro e marcou a segunda reunião consecutiva sem alterações na política monetária americana.

Segundo a autoridade monetária, a escalada da guerra no Oriente Médio, especialmente diante das tensões envolvendo o Irã, e a alta do preço do petróleo no mercado internacional ampliaram as preocupações com a inflação nos Estados Unidos. Mesmo com o cenário de incerteza, o Fed optou por preservar os juros no nível atual, avaliando os possíveis impactos do conflito sobre a economia global.

A manutenção ocorre após a interrupção, em 28 de janeiro, de um ciclo de três cortes consecutivos nas taxas. Na ocasião, o banco central já havia sinalizado cautela diante das incertezas sobre o comportamento da atividade econômica, da inflação e do ambiente internacional.

Apesar do quadro mais delicado, as projeções do Fed continuam indicando a possibilidade de um corte de 0,25 ponto percentual em 2026. Entre os 19 integrantes do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), 12 ainda apostam em ao menos uma redução no próximo ano, enquanto sete defendem a manutenção da taxa no atual intervalo.

A decisão também traz reflexos para o Brasil. Com os juros americanos em nível ainda elevado, cresce a pressão para que a taxa Selic permaneça alta por mais tempo, o que pode influenciar o câmbio, encarecer o crédito e dificultar o processo de afrouxamento monetário por parte do Banco Central brasileiro.

Esta foi a décima decisão de política monetária desde que Donald Trump assumiu como 47º presidente dos Estados Unidos, em 20 de janeiro de 2025. Desde o início do atual mandato, o Fed realizou três cortes de juros, em meio a um cenário marcado por conflitos geopolíticos, volatilidade internacional e pela guerra tarifária promovida pelo republicano.