Deputado pressiona Petrobras e critica alta do diesel: “Brasil não deveria seguir mercado internacional”

Luiz Carlos Hauly reage a reajuste de R$ 0,38 por litro anunciado pela estatal e defende preços mais baixos no mercado interno; governo mantém discurso de não intervenção

O deputado federal Luiz Carlos Hauly (Podemos-PR) criticou a política de preços da Petrobras e defendeu que a estatal evite novos aumentos nos combustíveis vendidos no mercado interno. Em declaração ao Poder360, Hauly afirmou que, por produzir mais petróleo do que consome, o Brasil não deveria simplesmente acompanhar as oscilações do mercado internacional.

A crítica ganhou força após a Petrobras anunciar reajuste de R$ 0,38 por litro no diesel A vendido às distribuidoras, com vigência a partir de 14 de março. Segundo a estatal, o aumento equivale a R$ 0,32 por litro no diesel B comercializado nos postos, já considerada a mistura obrigatória com biodiesel. Com a mudança, o preço médio do diesel A da companhia para as distribuidoras passou a R$ 3,65 por litro.

Na avaliação de Hauly, a autossuficiência petrolífera brasileira deveria permitir uma política de preços mais protegida das turbulências externas, sobretudo em um momento em que o valor dos combustíveis volta ao centro do debate econômico e político. O argumento do parlamentar mira diretamente um tema sensível para o governo e para o consumidor: o impacto imediato do diesel sobre frete, produção e inflação.

A Petrobras, porém, sustenta que o reajuste teve efeito limitado para o consumidor final. A presidente da companhia, Magda Chambriard, disse à Reuters que o repasse nas bombas tende a ser de até R$ 0,06 por litro, classificando o impacto como “residual”. Segundo ela, a empresa segue sua estratégia comercial sem repassar integralmente a volatilidade internacional, enquanto o governo atua por meio da redução de tributos federais para amortecer a pressão sobre os preços.

Do lado do Planalto, a linha oficial continua sendo a de não interferência direta na política de preços da estatal. Na semana passada, ao anunciar medidas para conter os efeitos da disparada global do petróleo, o governo zerou PIS/Cofins sobre o diesel e criou taxação sobre exportações de petróleo, mas o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que as medidas não alterariam a política de preços da Petrobras.

O debate, no entanto, está longe de ser apenas técnico. O preço dos combustíveis tem peso relevante sobre a inflação e influencia diretamente o custo de vida, o transporte de mercadorias e a percepção da população sobre a economia. Em meio à pressão política e à alta sensibilidade do tema, a fala de Hauly reforça a cobrança para que a Petrobras use sua posição no mercado doméstico como instrumento de estabilidade, enquanto a direção da empresa insiste em preservar sua estratégia comercial e o governo tenta amortecer os efeitos mais duros da alta do petróleo no exterior