Medida ainda não está em vigor, mas negociações entram na reta final com prazo até 15 de julho
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que cerca de 4,1 mil produtos exportados pelo Brasil para os Estados Unidos podem ser afetados caso o governo norte-americano avance com o chamado tarifaço proposto pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês).
A projeção foi divulgada nesta segunda-feira (6), no mesmo dia em que tiveram início as audiências públicas em Washington sobre a medida.
Pressão aumenta com prazo final para acordo
Segundo o governo brasileiro e autoridades envolvidas nas negociações, o prazo para um acordo entre Brasil e Estados Unidos se encerra no dia 15 de julho.
O governo afirma que tem intensificado esforços diplomáticos para tentar evitar a aplicação das novas tarifas.
Questionamentos dos EUA e resposta do Brasil
O USTR afirma que o Brasil adota práticas comerciais consideradas desleais em áreas como PIX, etanol, desmatamento e propriedade intelectual.
O governo brasileiro rejeita formalmente essas acusações, tendo enviado documento na semana passada contestando os argumentos apresentados pelos Estados Unidos.
Impacto bilionário nas exportações
De acordo com a CNI, os 4,1 mil produtos citados representam cerca de US$ 14,9 bilhões em exportações brasileiras para o mercado norte-americano.
Entre os itens potencialmente afetados estão ferro-gusa não ligado, açúcar bruto, álcool etílico, molduras de madeira e hidróxido de alumínio.
Setores industriais em alerta
A entidade afirma que uma tarifa adicional de 25% teria impacto relevante sobre a competitividade dos produtos brasileiros.
Em nota, o presidente da CNI, Ricardo Alban, declarou que a medida “não se justifica sob o aspecto jurídico, econômico e estratégico”.
Ele defendeu o diálogo como caminho para preservação da relação comercial entre os dois países.
Audiências nos EUA e estratégia brasileira
O governo brasileiro decidiu não se inscrever para discursar nas audiências públicas em Washington, mas enviou representantes da embaixada na condição de observadores.
Segundo o Itamaraty, o espaço não é considerado adequado para negociação direta, que segue em tratativas técnicas e diplomáticas.
Enquanto isso, autoridades brasileiras afirmam que ainda não houve resposta formal dos EUA às propostas apresentadas.
Encerramento
As negociações seguem em andamento, com prazo final até 15 de julho, enquanto o setor industrial acompanha o avanço das discussões e possíveis impactos no comércio bilateral.





