Magnitudes de 7,5 nos registros
Os fortes terremotos que atingiram a Venezuela nesta quarta-feira (24) provocaram uma onda de comoção internacional e também impulsionaram a disseminação de informações falsas nas redes sociais. Enquanto imagens reais da tragédia circulavam pela internet, diversos vídeos antigos e fora de contexto passaram a ser compartilhados como se fossem registros dos abalos sísmicos.
Os dois tremores, de magnitudes 7,2 e 7,5, ocorreram com menos de um minuto de diferença e deixaram mais de 500 mortos e milhares de feridos. Diante da repercussão mundial, equipes especializadas em verificação de fatos passaram a analisar os conteúdos mais compartilhados para identificar quais registros são verdadeiros e quais não têm relação com o desastre.
Tragédia impulsionou grande volume de desinformação
Eventos de grande impacto costumam aumentar significativamente a circulação de conteúdos enganosos na internet, principalmente em plataformas de redes sociais.
No caso dos terremotos na Venezuela, vídeos reais passaram a dividir espaço com gravações antigas, imagens de outros países e publicações compartilhadas fora de contexto, dificultando a identificação de informações confiáveis pelos usuários.
Esse cenário reforça a importância da verificação antes do compartilhamento de conteúdos relacionados a grandes tragédias.
Vídeo de tsunami não tem relação com a Venezuela
Outro conteúdo amplamente compartilhado mostrava embarcações enfrentando grandes ondas em uma região portuária, acompanhado da informação de que seria consequência dos terremotos registrados na Venezuela.
A publicação afirmava que as imagens retratavam um suposto tsunami em La Guaira logo após os tremores.
Entretanto, a verificação demonstrou que o vídeo não possui qualquer ligação com o desastre ocorrido no país sul-americano.
Vídeo gravado em prédio de Caracas é verdadeiro
Entre as gravações que mais repercutiram está o vídeo feito por um morador de Caracas durante os momentos posteriores aos tremores.
Nas imagens, o homem desce as escadas do edifício enquanto registra o aumento da destruição a cada andar. Ao chegar ao térreo, o local aparece tomado por escombros e áreas alagadas, evidenciando os danos provocados pelos abalos.
Segundo a checagem realizada pelo Fato ou Fake, o vídeo é autêntico. A gravação foi submetida a ferramentas de detecção de inteligência artificial, que não identificaram indícios de manipulação por meio dessa tecnologia.
Imagens foram registradas no Japão em 2011
De acordo com a análise do Fato ou Fake, a gravação viralizada foi registrada no Japão em 11 de março de 2011, quando um terremoto de magnitude 9,0 provocou um dos maiores tsunamis da história do país.
Por meio de busca reversa utilizando o Google Lens, foi possível localizar o mesmo vídeo publicado por agências de notícias japonesas na época da tragédia.
Embora o conteúdo seja verdadeiro, sua utilização para ilustrar os terremotos na Venezuela caracteriza uma publicação fora de contexto e, portanto, enganosa.
Verificação é essencial durante grandes tragédias
Especialistas alertam que situações de grande repercussão costumam favorecer a rápida propagação de informações falsas, dificultando o acesso da população a dados confiáveis.
A circulação simultânea de registros autênticos e conteúdos reutilizados de outros eventos exige atenção redobrada dos usuários antes de compartilhar imagens e vídeos nas redes sociais.
No caso dos terremotos que atingiram a Venezuela, a checagem de fatos tem desempenhado papel fundamental para separar registros legítimos de materiais antigos apresentados de forma incorreta, contribuindo para que informações verificadas cheguem ao público em meio ao cenário de emergência.





