Crescimento da demanda por tecnologia climática gera oportunidades

Avanço das tecnologias verdes impulsiona economia global, enquanto o Brasil enfrenta desafios para ampliar investimentos e consolidar seu potencial no setor 

Temporais, enxurradas, secas extremas e longas estiagens estão entre os efeitos da mudança do clima já sentidos em todo o mundo. Em sentido oposto, a busca por soluções impulsiona o desenvolvimento das tecnologias climáticas.
O setor, também chamado de tecnologia verde, caracteriza-se pelo uso da inovação para acelerar respostas, mitigar impactos climáticos e aumentar a resiliência da infraestrutura.
São tecnologias que protegem o meio ambiente, reduzem emissões e utilizam recursos de forma sustentável”, explica Yago Freire.
Na prática, o setor reúne os dois eixos econômicos que mais crescerão até 2030: tecnologia e economia verde.
Para esse período, a demanda deve gerar US$ 10,1 trilhões em oportunidades de negócios verdes, sendo parte significativa proveniente de economia de custos com eficiência hídrica, energética e uso de matérias-primas.
Demanda
Parte dessas oportunidades será acelerada por acordos internacionais e políticas climáticas globais.
Atualmente, o setor vive uma transição: de desenvolvimento tecnológico para implementação em larga escala, ampliando o acesso a países e cidades.
O Programa de Implementação de Tecnologia (TIP) surge como ferramenta para facilitar o acesso às tecnologias climáticas em países em desenvolvimento.
Fluxo financeiro:
Apesar do crescimento, a América Latina recebeu menos de 1% dos investimentos globais em 2024.
Mesmo assim, o Brasil movimentou R$ 2 bilhões e gerou mais de 5 mil empregos, impulsionado pelas climatechs (startups de tecnologia climática).

 

Especialistas apontam que o país possui biodiversidade ampla, centros de pesquisa fortes e um mercado empreendedor consolidado, fatores que favorecem o setor.
Desafios:
O principal entrave não é falta de capacidade, mas sim falta de investimento, articulação e coordenação entre setores.
Há também um déficit de capital internacional, que ainda não reconhece plenamente o potencial brasileiro.
Apesar disso, o crescimento do PIB, especialmente no agronegócio, já reflete investimentos em tecnologia climática.
O país busca agora novos modelos de financiamento e maior integração entre mercado, governo e inovação.
Além disso, o setor foi organizado em oito áreas estratégicas, como energia, agricultura, água, resíduos e mobilidade, para melhor acompanhamento e desenvolvimento regulatório.