Raúl Guillermo Rodríguez Castro, ligado à segurança do ex-presidente cubano, aparece em meio a diálogos informais com Washington
O início de conversas entre Cuba e Estados Unidos, confirmado na última sexta-feira (13) pelo presidente Miguel Díaz-Canel, trouxe à tona uma figura pouco conhecida do público: Raúl Guillermo Rodríguez Castro, de 41 anos, neto do ex-presidente Raúl Castro e conhecido como “El Cangrejo” (“O Caranguejo”).
Segundo reportagens da imprensa internacional, ele teria participado de encontros informais com assessores do secretário de Estado americano, Marco Rubio. Havana não confirmou oficialmente sua atuação, mas também não negou as informações.
Raúl Guillermo não ocupa cargo formal no governo cubano. Ainda assim, é considerado próximo ao núcleo de poder do regime por sua ligação direta com o avô, que, embora tenha deixado a presidência em 2018, segue influente nos bastidores.
Ligação familiar e proximidade com o poder
Filho de Déborah Castro Espín e do ex-general Luis Alberto Rodríguez López-Calleja — que comandou o conglomerado militar Gaesa —, Raúl Guillermo cresceu dentro da elite política e militar cubana.
Desde jovem, manteve relação próxima com Raúl Castro. Ainda adolescente, passou a viver com o avô, o que consolidou sua inserção no círculo mais restrito do poder na ilha.
Atuação na segurança de Raúl Castro
A principal função conhecida de Raúl Guillermo é na área de segurança. Ele atua como guarda-costas de Raúl Castro e, segundo fontes citadas por veículos internacionais, integra o Ministério do Interior de Cuba, possivelmente com patente militar.
Relatos indicam que ele teria sido promovido a chefe da Direção Geral de Segurança Pessoal, responsável pela proteção das lideranças do regime. Sua presença ao lado do ex-presidente é frequente em eventos públicos e viagens oficiais.
Possível papel em diálogos com os EUA
A menção de seu nome em contatos com autoridades americanas ocorre em um momento de agravamento da crise econômica cubana, com escassez de energia, falta de recursos e aumento da pressão internacional.
Autoridades dos Estados Unidos afirmam que os diálogos em curso não são negociações formais, mas sim conversas preliminares com pessoas próximas ao entorno de Raúl Castro.
O congressista republicano Mario Díaz-Balart disse que Washington mantém contato com “diversas pessoas” ligadas ao ex-presidente cubano, sem detalhar nomes.
Sistema político fechado
Especialistas apontam que, em Cuba, a proximidade com figuras-chave do regime pode ser determinante para a influência política, independentemente de cargos oficiais.
A possível participação de Raúl Guillermo nas conversas reforça o papel da família Castro dentro de um sistema considerado fechado e pouco transparente.
Ao mesmo tempo, levanta questionamentos sobre quem efetivamente conduz as decisões políticas no país, em meio a um cenário de crise e pressão por mudanças.


