Diretor da OMS diz que ataque a centro de saúde no Llíbano matou médicos e enfermeiros.

Tedros Adhanom confirmou a morte de 12 profissionais de saúde em uma unidade localizada em Bourj Qalaouiyeh. Segundo ele, os casos representam “um desdobramento trágico na escalada da crise no Oriente Médio”.
Chefe da OMS relata morte de 14 profissionais de saúde em ataques no sul do Líbano

Tedros Adhanom afirma que ofensivas atingiram duas unidades médicas em 24 horas; crise humanitária se agrava com mais de 800 mil deslocados e fechamento de serviços de saúde

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, informou que 12 médicos, enfermeiros e paramédicos morreram em um ataque ao centro de saúde primária de Bourj Qalaouiyeh, no sul do Líbano, na noite de sexta-feira (13). Segundo ele, outras duas mortes de paramédicos já haviam sido confirmadas horas antes em um ataque separado a uma unidade de saúde em Al Sowana. Para Tedros, a morte de 14 profissionais de saúde em apenas 24 horas representa “um desenvolvimento trágico” na escalada da crise no Oriente Médio.

A manifestação do chefe da OMS ocorre em meio ao agravamento do confronto entre Israel e o Hezbollah em território libanês. Desde o início de março, a troca de ataques se intensificou, com bombardeios israelenses em diferentes áreas do país, incluindo o sul do Líbano e regiões próximas a Beirute, enquanto o Hezbollah mantém lançamentos de foguetes e drones em direção a Israel.

O impacto humanitário da ofensiva tem crescido rapidamente. Segundo dados citados pela Reuters com base no Ministério da Saúde libanês, ao menos 850 pessoas já morreram e mais de 2,1 mil ficaram feridas no país desde a escalada do conflito em 2 de março. No mesmo período, mais de 800 mil pessoas foram obrigadas a deixar suas casas, número equivalente a cerca de 15% da população libanesa.

A situação dos deslocados é especialmente crítica. Apenas uma parcela deles está em abrigos coletivos, enquanto muitos permanecem em prédios inacabados, carros, estruturas improvisadas ou mesmo ao relento. A ONU lançou um apelo emergencial de US$ 308 milhões para ampliar a resposta humanitária no país e tentar dar suporte a famílias que perderam acesso a moradia, renda e serviços básicos.

No setor de saúde, o cenário é de forte pressão sobre hospitais, ambulâncias e centros de atendimento primário. A OMS informou que, em razão da violência e das ordens de evacuação, 49 centros de atenção primária e cinco hospitais deixaram de funcionar no Líbano, reduzindo ainda mais a capacidade de atendimento justamente no momento em que cresce o número de feridos e de pacientes com doenças crônicas sem acesso regular a tratamento.

Além disso, a própria OMS afirma que os ataques a unidades e equipes médicas vêm se repetindo. Em atualização divulgada pela organização, foram verificados 25 ataques contra serviços de saúde no Líbano desde o início de março, com 16 mortos e 29 feridos. A entidade reforça que profissionais de saúde, pacientes, ambulâncias e instalações médicas devem ser protegidos em qualquer circunstância, de acordo com o direito internacional humanitário.

O agravamento da crise levou a OMS a liberar recursos emergenciais para sustentar a resposta sanitária na região. Neste fim de semana, a organização anunciou a liberação de US$ 2 milhões de seu fundo de emergências para Líbano, Iraque e Síria, sendo US$ 1 milhão destinado ao Líbano para reforçar coordenação, atendimento a traumas, vigilância epidemiológica e aquisição de insumos médicos essenciais.

Com o avanço dos bombardeios, o Líbano se consolida como uma das frentes mais sensíveis da atual crise regional. Enquanto Israel afirma que mira estruturas do Hezbollah, agências internacionais alertam que a deterioração das condições humanitárias, o aumento das mortes civis e os ataques ao sistema de saúde ampliam a pressão global por proteção aos civis, respeito às instalações médicas e abertura de acesso humanitário contínuo.